quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

health determinants - solid facts


Em 2003, a WHO-Europe lançou um documento que, parece-me ser excelente - muito instrutivo, claro, objectivo, clarificador e um alerta para todos nós, da existência de alguns factores determinantes para a nossa saúde!!

só tenho uma dúvida. GRANDE DUVIDA! claro! ou não fosse eu quem sou!!! eterna obstinada em querer uma explicação para tudo!!

porquê que quase ninguém conhece este documento?
porquê que, pelo menos as entidades competentes, decisores e administradores... da vida de cada um de nós, não vêem este tipo de documentos com os olhos abertos e não percebem que há aqui informação importante;

...que, se alguém escreveu algo assim, que por acaso é so a entidade com mais influência ao nivel da saúde, é porque, se calhar começa a estar na altura de acreditarmos que ha algum fundo de verdade em tudo o que se diz!
ora bem, deixemo-nos de pragmatismo!!

definitivamente é muito mais facil fazer de conta que nao se sabe ou que não sabiamos e que, por isso ninguém tem responsabilidade sobre nada do que acontece com a nossa saúde.

Pois bem...! este documento identifica como determinantes para a saúde:

The social gradient
Stress
Early life
Social exclusion
Work
Unemployment
Social support
Addiction
Food


será assim tão difícil acreditar que estes aspectos determinam a nossa saúde?
assumir esta realidade?

claro que se cada um de nós fizer a sua parte, não so em relação a si proprio como ajudando o vizinho a fazer a sua, acredito, tudo será muito mais fácil e melhor! e entao se todos colaborarmos para o mesmo objectivo!!!

"Our goal is to promote awareness, informed debate and, above all, action!!"

este é o objectivo da organização, ao criar o documento!!
o meu, ao referi-lo é, talvez quem sabem, fazer uma pequena parte da promoção do despertar, informar e agir!!

*se alguém quiser conhecer melhor o documento: http://www.euro.who.int/InformationSources/Publications/Catalogue/20020808_2

enjoy yourself




10. Transport

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


Como profissional na área da saúde, diariamente envolvida no processo saúde/doença das pessoas, e dessa relação com todo o seu contexto familitar, social, emocional, psicológico, espiritual, biológico e físico parece-me de todo pertinente, reflectir acerca do que envolve o conceito de saúde/doença e de como nós profissionais de saúde podemos olhar de modo diferente para essas questões.

na verdade, e pensando na perspectiva sociológica que envolve a definição do conceito de saúde para cada ser humano, existe uma teoria - do Conflito (Herslich, 1975) que me parece deveras interessante e que vai muito de encontro a um outro conceito que há uns anos descobri e comecei a explorar, o da Doença como Caminho.

Nesta perspectiva, saúde e doença são definidas como resultado do conflito entre o indivíduo e a sociedade, sendo que, a saúde corresponde ao estado natural do indivíduo e a doença às consequências da vida em sociedade. Relativamente à doença, construída socialmente, é específica de cada sociedade num dado momento e permite determinar os elementos de estruturação da identidade social, a sua relação com a doença e os níveis de descoincidência entre a illness e a disease (Carapinheiro, 1986).
Por outro lado, a doença pode ser perspectivada de diferentes formas:
- disease (traduz as doenças de natureza física, biológica e fisiológic);
- illness (percepção que o indivíduo tem do seu mal-estar, fruto de uma construção cultural)
- sickness (depende da maneira como o indivíduo se sentiu e sente no seio da sociedade) (Silva, 2004).

Como o processo de categorização da doença é sócio-cultural nem sempre disease e illness coincidem e pode existir doença patológica (disease) sem que o indivíduo assuma o papel de doente, ou situações em que a pessoa sente mal-estar (illness) e não há doença biológica/patológica associada (ex. doenças somáticas).
Neste sentido, e considerando as diferentes representações sociais possíveis na conceptualização de doença, pode considerar-se diferentes tipo de doença, cada uma com o seu significado especifico, que vos desafio a explorar:destrutiva, libertadora e doença-profissão.

E, porque tudo isto me faz muito sentido e porque não consigo pensar que se pode conviver com pessoas e trabalhar nos seus limiares de conforto/desconforto, vida/morte, felicidade/infelicidade, desespero/tranquilidade, saúde/doença... sem ponderar acerca de todos os seus possíveis significados, sou inexoravelmente transportada para a minha visão de profissional de saúde, para as minha concepções, visão, valores, crenças e princípios que, nesta reflexão e partilha me reportam obrigatoriamente, para os conceitos tão actuais, controversos e, para muitos subjectivos, de bem estar; ou melhor, well-being, wellness, well-feeling, well living well-having...
onde, bem estar se refere aos sentimentos do corpo e mente de uma pessoa ou, por outras palavras, o well feeling que se refere ao termo comum qualidade de vida, para se referir às varias disponibilidades de sentimentos, ou seja outros aspectos de wel living ou well-having.

Parece-me que, na verdade todos estes conceitos merecem da nossa parte, seres humanos, alguma reflexão, por pequena que seja.

domingo, 3 de janeiro de 2010


AS cinco cores cegam a vista do homem.
Os cinco sons ensurdecem o ouvido do homem,
Os cinco sabores prejudicam o palato do homem.
Perseguir e caçar tornam o homem selvagem.
As coisas difíceis de obter prejudicam a conduta do homem (Lao Tzu)

Não poderá ser descoberto nenhum facto verdadeiro ou existente... sem se conhecer a razão suficiente para ele ser como é e não ser diferente... (Gottfried leibniz


Mas, se todos os desejos fossem prontamente satisfeitos, como é que os homens ocupariam as suas vidas, como é que passariam o tempo? Imagino esta raça transportada para uma Utopia, onde tudo cresce à vontade e onde os perus voam em bandos, ja assados e prontos a comer, em que os amantes se encontram sem atrasos e se mantêm, sem qualquer dificuldade, fiéis um ao outro: num lugar desses alguns homens morriam de tédio ou enforcavam-se, ou envolviam-se em lutas e matavam-se uns aos outros e, portanto, acabariam por criar mais sofrimentos por si mesmos do que aqueles que a própria natureza lhes inflige (Arthur Schopenhaurs)