segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


Como profissional na área da saúde, diariamente envolvida no processo saúde/doença das pessoas, e dessa relação com todo o seu contexto familitar, social, emocional, psicológico, espiritual, biológico e físico parece-me de todo pertinente, reflectir acerca do que envolve o conceito de saúde/doença e de como nós profissionais de saúde podemos olhar de modo diferente para essas questões.

na verdade, e pensando na perspectiva sociológica que envolve a definição do conceito de saúde para cada ser humano, existe uma teoria - do Conflito (Herslich, 1975) que me parece deveras interessante e que vai muito de encontro a um outro conceito que há uns anos descobri e comecei a explorar, o da Doença como Caminho.

Nesta perspectiva, saúde e doença são definidas como resultado do conflito entre o indivíduo e a sociedade, sendo que, a saúde corresponde ao estado natural do indivíduo e a doença às consequências da vida em sociedade. Relativamente à doença, construída socialmente, é específica de cada sociedade num dado momento e permite determinar os elementos de estruturação da identidade social, a sua relação com a doença e os níveis de descoincidência entre a illness e a disease (Carapinheiro, 1986).
Por outro lado, a doença pode ser perspectivada de diferentes formas:
- disease (traduz as doenças de natureza física, biológica e fisiológic);
- illness (percepção que o indivíduo tem do seu mal-estar, fruto de uma construção cultural)
- sickness (depende da maneira como o indivíduo se sentiu e sente no seio da sociedade) (Silva, 2004).

Como o processo de categorização da doença é sócio-cultural nem sempre disease e illness coincidem e pode existir doença patológica (disease) sem que o indivíduo assuma o papel de doente, ou situações em que a pessoa sente mal-estar (illness) e não há doença biológica/patológica associada (ex. doenças somáticas).
Neste sentido, e considerando as diferentes representações sociais possíveis na conceptualização de doença, pode considerar-se diferentes tipo de doença, cada uma com o seu significado especifico, que vos desafio a explorar:destrutiva, libertadora e doença-profissão.

E, porque tudo isto me faz muito sentido e porque não consigo pensar que se pode conviver com pessoas e trabalhar nos seus limiares de conforto/desconforto, vida/morte, felicidade/infelicidade, desespero/tranquilidade, saúde/doença... sem ponderar acerca de todos os seus possíveis significados, sou inexoravelmente transportada para a minha visão de profissional de saúde, para as minha concepções, visão, valores, crenças e princípios que, nesta reflexão e partilha me reportam obrigatoriamente, para os conceitos tão actuais, controversos e, para muitos subjectivos, de bem estar; ou melhor, well-being, wellness, well-feeling, well living well-having...
onde, bem estar se refere aos sentimentos do corpo e mente de uma pessoa ou, por outras palavras, o well feeling que se refere ao termo comum qualidade de vida, para se referir às varias disponibilidades de sentimentos, ou seja outros aspectos de wel living ou well-having.

Parece-me que, na verdade todos estes conceitos merecem da nossa parte, seres humanos, alguma reflexão, por pequena que seja.

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